23/06/2026

CASA DO PIANO

CASA DO PIANO

Arquitetura: Luísa Bebiano

Colaboração: Henrique Pimentel, Mário Carvalhal, Diogo Sanches

Obra: Oliveira e Paiva

Fotografias: Hugo Santos Silva


Situado em “zona tampão” da área “Universidade de Coimbra – Alta e Sofia”, conjunto histórico, classificado como Património Mundial da UNESCO, desde 2013, este conjunto residencial, localiza-se na Rua Dias Ferreira, em Coimbra.



Numa zona densa da cidade, esta construção, do início do século XX, apresenta uma morfologia com pátio central de duas habitações geminadas, com três frações cada uma. Com orientação norte-sul, as frações apresentam uma ventilação cruzada nesse eixo, marcado pela vista da alta da cidade de Coimbra e uma ventilação transversal, só possível pelo esquema de “pátio central”.


Com um corredor central, a casa está distribuída tipo “risco ao meio”, com os quartos voltados, maioritariamente a poente, e as instalações sanitárias a nascente. Os programas sociais, como a cozinha e a sala, estão voltados a sul, com forte relação com a varanda.



Este projeto foi feito com base na preexistência encontrada, com muitas das características do imóvel alteradas, com o princípio basilar de dotar as habitações com melhores condições de habitabilidade, sem nunca desvirtuar o conjunto arquitetónico, bem como os sistemas construtivos originais.





Julga-se que as varandas apresentadas a sul, sempre foram fechadas. Apesar das pilastras e do grande pé direito, é muito provável que não tenha sido possível habitar este espaço aberto, devido à excessiva insolação e impossibilidade de sombreamento numa zona de ventos fortes durante a maior parte do ano.



Com um pé direito bastante generoso, como era habitual neste tipo de habitações desta época, pretendeu-se recolocar as proporções originais da habitação, com demolições e acrescentos cirúrgicos, utilizando materiais nobres, como a pedra, madeira, mosaico hidráulico e o azulejo artesanal.



As cores utilizadas são as cores naturais dos materiais e no exterior, azul claro, com os vãos brancos com moldura com cor “sangue de boi”, tal como a porta de entrada.

Esta cor avermelhada, foi colocada no pavimento de uma das novas instalações sanitárias, que funciona como uma “caixa” de madeira, dentro de um dos quartos.