21/10/2024

PRÉMIO NACIONAL DE ARQUITETURA


CASA NA CURIA - Prémio Nacional de Arquitetura - categoria "Habitação Unifamiliar"



Ficha Técnica 

Casa na Curia, Habitação Unifamiliar, Curia (Anadia)

2020-2022 (projeto) 2022-2024 (obra)

Área de construção com 484,80 m2

Cliente Privado


Arquitetura
Luísa Bebiano
Colaboração 
Dalmiro Cabrera, Pedro Lopes, Mário Carvalhal, Nuno Maia, Diogo Sanches, 
Mara Nogueira, Henrique Pimentel, Gonçalo Lopes
 

Especialidades

In Line Engenharia, Lda.

Fundações e Estruturas / Instalações Hidráulicas: Bruno Marques

Instalações elétricas e ITED: Paulo Aleixo

Comportamento acústico: João Filipe Almeida

Comportamento térmico: Patrícia Fernandes da Silva

Segurança contra incêndios: Nuno Figueiredo

 

Fotografias de obra

José Campos e Frederico Martinho

 

Construtor

Nova Predicofra, Construção Civil e Obras Públicas, Lda.

Direção de Obra

Tiago Cruz





De origem mediterrânica, o claustro assume, na Idade Média, o carácter de jardim fechado ou horto, simbolicamente conotado com o jardim paradisíaco da tradição bíblica, comportando igualmente funções de cunho utilitário, de recreio e de lazer. Durante os séculos XV e XVI o recinto claustral contrai uma feição humanista. (CORREIA, José Eduardo Horta, 1938)


Situada num bairro residencial, num contexto rural em Anadia, esta habitação assume as características locais, como ponto de partida, destacando a paisagem e o edificado envolvente. Como premissas de projeto, havia a necessidade de se inserir num aglomerado habitacional, ter um piso superior com uma varanda voltada a sul e, em simultâneo, ter uma forte vivência interior, promovendo uma sensação de segurança. Assim, esta casa nasceu de dentro para fora, sendo o centro um espaço exterior, uma espécie de claustro, um momento de passagem e vivência, onde a relação com a natureza se faz num espaço aberto, mas encerrado por quatro galerias, com caráter de interior / exterior, num jogo de ar livre protegido. Este projeto junta o objeto arquitetónico do claustro, ao elemento construtivo da parede vazada, possibilitando uma maior ventilação e luminosidade, num espaço encerrado sobre si mesmo. Este elemento adicionado ao pátio é o Cobogó do modernismo arquitetónico brasileiro do século XX.


Esta habitação está alinhada segundo a orientação das construções preexistentes envolventes, dando uma continuidade de fachada no espaço público.

No piso térreo - garagem, arquivo, casa de máquinas e ateliers -, tem-se acesso ao pátio e às escadas de acesso ao piso superior. No piso superior, a área social (sala e cozinha) está orientada a Sudeste, e a área privada (quartos e instalações sanitárias) a nordeste.


Sendo uma zona argilosa, o tijolo, surge como o material construtivo que se liga ao local. A composição dos alçados é trabalhada plasticamente por forma a manter um diálogo de cheios e vazios, alternando panos de tijolo “cegos”, “vazados” e aberturas de vidro.


A estrutura da habitação é feita em betão armado. No piso térreo, as paredes interiores estão contruídas em blocos de betão à vista e no primeiro andar, de alvenaria de tijolo, garantindo sempre, paredes duplas, com isolamento térmico e uma caixa de ar no interior. A cobertura é revestida a camarinha de zinco, com inclinação para o interior.


Considerando o tijolo como escolha do material predominante, a ventilação natural e a energia passiva, esta habitação, não necessita de outros recursos energéticos para o seu aquecimento e arrefecimento, sendo energeticamente eficiente e respeitando o meio ambiente.