20/05/2019

BOLETIM 209, MAIO - FCG

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Boletim 209, Maio - "Prémio Vilalva para Cerâmica Antiga"


06/05/2019

CASA

COIMBRA ARCHITECTURE SUMMER ATELIER
www.uc.pt/fctuc/darq/casa/



05/05/2019

MÃE




No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Helder, "A Fonte"

01/05/2019

SE ME EMPURRARES EU VOU

"(...)
imaginário ouro se te amo se te amo na decadência
arranco o coração e o mordo à tua porta
que todas as avenidas conhecem seja a boca seja o
espírito seja a evidência do amor e do ciúme provocador dos quadris
      dos anjos onde tudo começa
(...)
o desespero é só uma palavra na inocência da loucura."

poema vivo, Maria Quintans
Assírio e Alvim, Fevereiro 2019

25/04/2019

25 DE ABRIL

SEMPRE!
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Calçada de Carriche
António Gedeão
Poesias Completas (1956-1967)


23/04/2019

PRÉMIO VILALVA - DC

DIÁRIO DE COIMBRA
18.04.2019


19/04/2019

PRÉMIO VILALVA - PÚBLICO

JORNAL PÚBLICO
18.04.2019


15/04/2019

HOMENAGEM

Francisco Amaral
1951-2019

Suspenso de um sonho, desde sempre do mesmo, saí acreditando no amanhecer. 
E regresso à mesma música. 
Para me proteger, para acreditar que há ainda aquele pedaço de azul entre as nuvens, para onde possa voar.
Suspenso de um sonho. 
Sempre.
"Inabdicavelmente".
Íntima Fracção, Francisco Amaral

19/03/2019

CONDE REDONDO

FOTOGRAFIA DE OBRA
Prédio em Lisboa na Rua Conde de Redondo
Brevemente reportagem por Do Mal o Menos


Fotografia de Luisa Bebiano

18/03/2019

CONDE REDONDO

FOTOGRAFIA DE OBRA
Prédio em Lisboa na Rua Conde de Redondo
Brevemente reportagem por Do Mal o Menos

Fotografia de Eduardo Nascimento

17/03/2019

CONDE REDONDO

FOTOGRAFIA DE OBRA
Prédio em Lisboa na Rua Conde de Redondo
Brevemente reportagem por Do Mal o Menos



Fotografia de Eduardo Nascimento

16/03/2019

CONDE REDONDO

FOTOGRAFIAS E OBRA
Prédio em Lisboa na Rua Conde de Redondo
Brevemente reportagem por Do Mal o Menos
Fotografia de Eduardo Nascimento


13/03/2019

PINHEL

FOTOGRAFIAS DE OBRA
Brevemente reportagem de Hugo Santos Silva


Alpendre em Pinhel - Fotografia de Luisa Bebiano

12/03/2019

PINHEL

FOTOGRAFIAS DE OBRA
Brevemente reportagem de Hugo Santos Silva


Fotografias de Luisa Bebiano

11/03/2019

CONDE REDONDO

FOTOGRAFIA DE OBRA

Prédio na Rua Conde de Redondo (Lisboa) - Fotografia de Luisa Bebiano

08/03/2019

CASA NA BICA DEBAIXO

FOTOGRAFIA DE OBRA
Casa na Bica Debaixo - Fotografia de Luisa Bebiano

06/03/2019

CASA BICA DEBAIXO

FOTOGRAFIA DE OBRA

Casa da Bica Debaixo - Fotografia de Luisa Bebiano

20/12/2018

BOAS FESTAS

Alpendre agrícola em Pinhel
Arquitectura de Luisa Bebiano, Pedro Canotillo e Mário Carvalhal

05/12/2018

CASA DA BICA DEBAIXO

FOTOGRAFIAS DE OBRA


Fotografias de Luisa Bebiano

26/11/2018

CURTA METRAGEM

CURTA METRAGEM
Um filme de Luís Porto

 Fotografias de rodagem

14/11/2018

CASA EM EIRAS

FOTOGRAFIA DE OBRA
Casa em Eiras com Tiago Borges

Fotografia de TUU (Fiscalização de empreitada), retirada da aplicação BuildToo